Todo adolescente sofre algum tipo de pressão, principalmente da família, que sempre exige perfeição, notas boas, bons relacionamentos, beleza impecável, obediência às ordens religiosas e que os mais novos imitem os passos dos mais velhos; e ali, no meio de Greensnow, o sol era testemunha da briga eterna entre a juventude e os adultos.
Manhã de sexta - 8 de setembro
-Quantas vezes já conversamos sobre isso? -gritava a mãe de Thomas Oliver- Você não vai fazer faculdade de teatro.
-Mas é o meu futuro, eu tenho esse direito de escolha. -as lágrimas escorriam do rosto inchado de Thomas, após ter surtado no café da manhã.
-Já falei que não! -a mão pesada do Sr. Oliver bateu na mesa de madeira maciça, fazendo Thomas engolir o choro e Elliot arregalar os olhos- Você vai pegar suas coisas, ir para a escola, depois trabalhar na cafeteria da sua mãe, vai seguir essa rotina até entrar para a Universidade de Oxford, onde vai cursar direito e ser uma advogado como seu pai, e não se fala mais nisso.
-Elliot me desculpa por ter que ouvir... -logo a Sra. Oliver foi interrompida por seu sobrinho.
-Está tudo bem, agora temos que ir para a escola. -falou, se levantando com seu primo.
A neblina atrapalhava o trânsito, estava cada vez mais densa e fria, chegando a tampar toda a vista nos pontos mais altos da cidade. Agarrado em seu casaco, Thomas mordia seu lábio inferior, uma forma de segurar o choro e aliviar a ansiedade, notando o que seu primo estava fazendo, Elliot tirou as mãos do bolso de seu sobretudo e abraçou seu primo, permitindo-o chorar.
-Vai ficar tudo bem, -repetiu algumas vezes- tenha calma. -após alguns minutos, Thomas enxugou suas lágrimas e se saiu dos braços de seu primo.
-Seus pais também eram assim? -questionou, tentando mudar de assunto.
-Minha mãe era bem exigente, como seu pai, aprenderam com nossa avó a serem assim, mas era uma exigência normal, boas notas e horário para chegar em casa, e meu pai, ele simplesmente faz muita falta, ele sempre me apoiou em tudo, ele costumava me chamar de pequeno campeão, foi muito difícil encontra-lo morto, mas ele gostaria que eu seguisse em frente.
-Uau, me lembro do nosso último natal juntos, sinto falta dele também. Agora preciso esconder a cara de choro, os predadores pegam as presas fáceis, agora tenho que ir, até a hora do almoço. -Thomas se despediu de seu primo, correndo até um grupo de amigos do clube de xadrez.
Elliot encontrou Charlotte e Liam no meio do corredor, correndo até eles. Enquanto os três conversavam, suas atenções e as de todos do high school foram chamadas para o meio da escola, onde Adam, vestido como se tivesse no verão e com um microfone em mãos, se declarava para Candance, que estava visivelmente constrangida com tal situação.
-Querida Candance, -Adam se ajoelhou- eu te amo como os ventos amam as árvores, vamos diligamus nos (nos amar), deitaremos nossos corpos nus na grama e nos entregaremos ao desejo carnal do amor, permita... -o tapa foi escutado por toda a escola.
-Oh my god, Candance é uma bitch? -disse Emma, enquanto sorria da situação.
-Nunca mais ouse falar isso para mim, seu sem noção. -O fogo infernal consumiu a bondade santa de Candance, sua voz soou como o próprio Belzebu, seu tapa fez a boca do arcaico sangrar; cobriu seu rosto com o capuz e seguiu até sua sala de aula.
-A Candance tem redes sociais? -questionou Elliot, parecia estar satisfeito com a situação, afinal, acabara de postar tudo em seus stories.
***
Sentado em uma das escadas, Thomas passava seu dedo indicador pelos botões transparentes de sua blusa amarela. Sr. Reymond passava por ali com o carrinho de limpeza, e percebendo que uma tristeza assolava o coração do menino, parou a sua frente e se sentou ao seu lado, gemendo:

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A Tábula de Greensnow
Mystery / ThrillerA pequena cidade de Greensnow tem seu destino mudado pelo retorno do falecido Josh Brooklyn, morto há 3 anos, trazendo consigo mistérios sobrenaturais. Investigando e percebendo que precisariam de mais informações, Charlotte funda a Tábula de Greens...